
A ansiedade que antecede uma auditoria de certificação quase sempre nasce do mesmo engano: a equipe se prepara para as duas fases como se fossem a mesma coisa em dose dupla. Não são. A Fase 1 responde a uma pergunta — o sistema está pronto para ser auditado? A Fase 2 responde a outra — ele funciona de verdade? Saber o que cada uma procura evita retrabalho e evita gastar energia com o que não será perguntado naquele dia.
O que a Fase 1 procura
A auditoria inicial é conduzida em duas etapas — isso é requisito, não escolha comercial. Na primeira, o auditor trabalha sobre a informação documentada e sobre o entendimento que a organização tem da norma. Os objetivos são definidos e verificáveis:
- Analisar a informação documentada do sistema de gestão;
- Avaliar a prontidão da organização para a Fase 2;
- Verificar o entendimento que a organização tem dos requisitos da norma;
- Obter as informações necessárias sobre o escopo: unidades, processos, equipamentos, níveis de controle estabelecidos e requisitos legais e regulamentares aplicáveis;
- Combinar com o cliente os detalhes da Fase 2 e dar foco ao seu planejamento;
- Avaliar se as auditorias internas e as análises críticas estão sendo planejadas e executadas.
O resultado é uma conclusão documentada sobre a prontidão, acompanhada da identificação de áreas de preocupação. Não há reprovação na Fase 1. Há registro do que precisa ser resolvido — e o aviso de que aquilo pode ser levantado como não conformidade na Fase 2 se continuar do mesmo jeito.
O que a Fase 2 procura
A Fase 2 acontece nas instalações e tem um propósito único: avaliar a implementação do sistema, incluindo sua eficácia. Mudam o método e o tipo de evidência. Sai o documento, entra o que as pessoas fazem. A auditoria examina:
- Informações e evidências de conformidade com todos os requisitos da norma aplicável;
- Monitoramento, medição, relato e análise crítica do desempenho frente a objetivos e metas;
- O desempenho quanto ao atendimento a requisitos legais, regulamentares e contratuais;
- O controle operacional dos processos da organização;
- As auditorias internas e a análise crítica pela direção;
- A responsabilidade da direção pelas políticas do sistema.
Vale lembrar o que o próprio relatório de auditoria declara: auditoria é amostragem. O auditor não vê tudo — vê o suficiente para concluir com confiança. Por isso a conversa com quem executa vale mais do que a pasta bem organizada: é no relato do trabalho real que a amostra ganha ou perde credibilidade.
O intervalo entre as fases não é burocracia
O tempo entre Fase 1 e Fase 2 é definido caso a caso, considerando o que a organização precisa resolver das áreas de preocupação registradas. Se elas forem pontuais, a Fase 2 é agendada na sequência. Se forem estruturais, o organismo pode revisar o planejamento da Fase 2 e, no limite, repetir a Fase 1 no todo ou em parte. Empurrar a Fase 2 para um sistema que ainda não opera só antecipa não conformidades.
Como se preparar para cada uma
- Rode um ciclo completo de auditoria interna. Não a simulação de véspera: um ciclo que cubra os processos do escopo, com constatações registradas e tratadas;
- Realize a análise crítica com a alta direção. Com entradas e saídas reais — desempenho, reclamações, riscos, recursos — e decisões registradas;
- Deixe os registros do dia a dia acessíveis. Quem opera precisa saber onde está o registro que faz na própria rotina, sem depender de uma única pessoa;
- Confira escopo e unidades antes da Fase 1. É ali que o texto do futuro certificado é confirmado com base em evidência;
- Prepare as pessoas sem ensaiar respostas. Auditoria não é prova oral: é conversa sobre o trabalho real. Resposta decorada que não bate com o registro cria constatação onde não havia.
Depois da Fase 2
As constatações das duas fases são analisadas em conjunto para chegar às conclusões da auditoria. Não conformidades maiores exigem correção com implementação verificada; as menores exigem plano de ação analisado. Só então vem a recomendação do auditor líder e, por fim, a decisão de certificação — tomada por quem não participou da auditoria. Nas etapas seguintes do processo não há Fase 1: manutenções e recertificação partem do sistema já auditado.
Dúvidas frequentes
A Fase 1 é sempre remota?
Não necessariamente. Ela pode incluir atividades no local, e o cliente é informado previamente sobre elas no planejamento. O que a distingue não é o meio, e sim o objetivo: prontidão, não eficácia.
Dá para pular a Fase 1?
Em certificação inicial, não. A ISO/IEC 17021-1 determina que a auditoria inicial seja conduzida em duas etapas, e as duas contam no tempo total de auditoria dimensionado para o cliente.
Área de preocupação vira não conformidade?
Pode virar, se persistir na Fase 2. É exatamente para isso que ela é registrada: dar à organização a chance de agir antes que o assunto vire constatação.
Posso mudar o escopo entre as fases?
Ajustes decorrentes do que a Fase 1 evidenciou são normais e desejáveis. Mudanças relevantes de atividades ou unidades, porém, podem alterar o dimensionamento da auditoria e precisam ser tratadas antes da Fase 2.
Base legal e referências
- ISO/IEC 17021-1:2015 — seção 9.3, auditoria de certificação inicial
- IAF MD 5:2023 — tempo de auditoria (Fase 1 + Fase 2)
- Inmetro — Cgcre, organismo de acreditação do Brasil
- PCN.07 — auditoria e concessão de certificação (procedimento público)
- Guia da ISO 9001 — o que a auditoria espera encontrar
- Solicitar orçamento e cronograma das duas fases
E a Normatizas com isso?
Somos credenciados pelo Inmetro (Cgcre) e pelo IPA/IBA (Procert), com auditores experientes em compliance e sistemas de gestão, sigilo integral e atendimento em todo o país. Certificamos 19 normas de sistemas de gestão, da qualidade à inteligência artificial.
Nota da equipe técnica
Quem audita passa o dia vendo a distância entre o que está escrito e o que acontece — é dessa distância que tratam quase todos os nossos textos.
— Equipe técnica da Normatizas Certificadora
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